Há uma observância de que as
dinâmicas tradicionais do capitalismo não são mais hegemônicas na economia. O
capital se modificou e destituiu o sistema, acelerando mudanças tecnológica nas
últimas décadas, desde a crise financeira de 2008.
Se pensarmos como tudo
aconteceu, podemos imagina um vírus que se instalou no sistema e, como o passar
dos tempos, aprendeu as informações genéticas do hospedeiro, diminuindo sua
resistência, a destruí-lo completamente.
O capitalismo clássico era
sustentado por dois pilares, o mercado e o lucro, ambos foram substituídos, o
primeiro pelas grandes plataformas digitais, chamada pelos autores de grande
feudo tecnológicos e o segundo, a parte mais substantiva do capitalismo, o
lucro, foi elevada a categoria de renda, que são extraídas a partir destes
feudos.
O cenário atual, estudado pelos
autores, apresenta o tecnofeudalismo com o novo poder que remodela a vida e o
mundo, tornando-se uma ameaça ao indivíduo e às ideias liberais. Esse poder é
uma barreira ao enfrentamento das catástrofes climáticas até aos ideias de
democracia que por a muito vimos experimentando e tentado estabelecer.
O tecnofeudalismo é o novo
modelo de economia. Ele é capaz de escravizar, a instante que cria uma nova
classe trabalhadora, bem como, modificou as estruturas de poder, estabelecendo
novas regras globais.
Diante deste contexto de
mudança, o socialismo, mesmo deixado para trás, continua sendo a esperança da
classe trabalhadora, seja as antigas, nos moldes do capitalismo e suas fases ou
as novas, no tencofeudalismo.
O CAPITALISMO ESTÁ MORTO!
Os teóricos fundadores do
capitalismo, seja os favoráveis, sejam seus críticos, pensaram um capitalismo
evolutivo, centrado no lucro. Basicamente isso significa investir um volume de
capital em maquinas, pagar mão de obra baratas e ter lucro com os produtos
finais.
Esse sistema de produção de
riqueza, grosso modo, surge de uma necessidade acumulativa histórica,
decorrente do feudalismo medieval, e de uma acumulação primitiva. Senhores
feudais perderam o controle de seus feudos, os comerciantes se estabeleceram,
surgindo o mercantilismo, uma primeira fase do capitalismo, que logo em seguida
assume a Revolução Industrial, bem como, o seu lado mais perverso, que foi o
colonialismo.
O colonialismo foi mais perverso
do ponto de vista humano, porque fomentou escravização de pessoas, instituído
com base nas todas as violências, embora saibamos quão brutal foi a condições
dos trabalhadores no século XVIII nas fabrica da Inglaterra e da França. Na
verdade, o capitalismo em todas as suas formas, desde o seu nascimento, foi
brutal.
No século XX o capitalismo tem
novas feições, as guerras e a indústria automobilística lhe garantiu grandes
volumes de lucros, formando agrupamentos entre aqueles do lado mais rico e
aquele do lado mais pobre.
Mas é no século XIX que surge
uma alternativa. Karl Marx após estudar os modos de produção, compreendeu a
violência, principalmente do capitalismo e estruturou o modo de produção
socialista (comunista) como sendo aquele capaz de dar melhores condições de
vida a classe trabalhadora. Foi a partir deste momento, que foi possível se
estabelecer, com os estudos do Capital de Marx, a luta de classe. Enteou-se que
o capitalismo tem duas classes, a classe dos capitalistas, donos dos meios de
produção e a classe dos trabalhadores, aquele que vendem sus mão-de-obra. Ficou
extremamente didático, retórico, você é dono da fábrica ou trabalha na fábrica?
A resposta a esta pergunta, também responde quem você é dentro deste modelo
econômico.
O fim da segunda guerra mundial
apresenta um novo cenário, países pobres devastados pela guerra, pagando a
países ricos os custos da guerra e a criação e fortalecimento de um capital
financeira especulativo. Capaz de gerar lucro (dividendos) sem custo na
produção. Esse é o momento do mundo polarizado, do medo internacional, a Guerra
Fria.
Mas os lucros nunca saciam a
necessidade do capital e por isso sempre é necessário novos produtos e novos
mercados. No mundo finaceirizado os endividamentos ao tempo que empobrece
muitos enriquece alguns e desencadeia crise após crise.
Em 2008 o mundo viveu a maior
crise financeira de todos os tempos, dentro de um processo econômico chamado de
Globalização, que foi propagado por muito como algo muito bom, mas que na
verdade foi prejudicial a economia, principalmente dos pais emergentes do sul
global. A crise daquele ano foi capitaneada por uma conjuntura econômica
global, precipitada pela falência do tradicional banco de investimento
norte-americano Lehman Brothers, um banco de capital sólido e aparentemente
seguro, fundado em 1850.
Essa crise arrastou consigo
outras grandes instituições financeiras, numa espécie de efeito domino que
quebraram, no processo também conhecido como Crise do subprime. No Brasil o impacto foi
importante, afetando a contratação liquidez internacional, principalmente por
houve cortes nas linhas de crédito americano para o brasil. O governo
brasileiro resistiu a crise com medidas protetivas e anticíclicas.
A saído dos governos foi buscar
salva o sistema financeiro e alocar recursos financeiros para o sistema
financeiro, inundando a economia com dinheiro dos bancos centrais, segundo
Varofaies. 2023, “socialismo dos banqueiros”, esse foi o ponto de virada, que
financiou a infraestrutura do capital em nuvem enquanto o capital industrial
(terrestre) estagnava.
“Lo
absurdo fue que, además de salvar a los bancos quebrados, rescataron a los
banqueros responsables de su fracaso —cuyo comportamiento había sido casi
delictivo— y de sus fatales prácticas. Lo que es peor, además de practicar el
socialismo con los banqueros, sometieron a los trabajadores y a la clase media
a una austeridad brutal. 4 Recortar el gasto público en medio de una gran
recesión es siempre una pésima idea. Hacerlo mientras se imprimen montañas de
dinero para los financieros se lleva el premio a la estupidez manifiesta. No
sólo se trató de un descarado doble rasero que hizo un daño incalculable a la
fe de una generación en la clase política, sino que tuvo un efecto letal en la economia”
Varofaies. 2023.
O ciclo se completa com a
pandemia, pois já havia acumulado recurso suficiente para a escalada da
construção do espaço de nuvem. Território dominado pelas Big Tecs globais, que
dominam o mercado e a vidas, surgido uma nova classe social.
Fueron
la pandemia y la avalancha de dinero público que ésta desencadenó las que
marcaron el inicio de la era del capital en la nube. Y si queremos un hito con
el que señalar su comienzo formal, esa mañana de verano nos servirá. Pero como
ya he insinuado, la historia del auge del capital en la nube como consecuencia
del dinero público en realidad empieza antes, ya que fue tras el crac de 2008
cuando los bancos centrales del mundo empezaron a imprimir masivamente dinero
estatal y éste empezó a tener un efecto extraño y contraintuitivo sobre los
beneficios. Varofaies. 2023.
Esses elementos demonstram a
morte do capitalismo, pelo menos em sua forma, como conhecíamos e faz surgir um
novo modelo de produção, que substitui o lucro por renda, transformando o
mundo, dividindo-o em nuvem, as Big Tecs são agora o lugar de onde sais as
rendas e um uma multidão de novos servos se escravizam. O capitalismo morre em
sua forma e dar lugar ao novo modelo de produção, o tecnofeudalismo.
O SOCIALISMO VIVE!
Muitos vão dizer que é
anacrônico falar de socialismo com o fim do capitalismo, no entanto, o
Socialismo, estudado por Karl Marx como a alternativa ao capitalismo não foi
ultrapassado com o tecnofeudalismo. As relações de exploração vão continuar,
surge novas formas, mas à classe de trabalhadores vai continuar na exporação,
assim não há espaço para morte do socialismo.
As Bigs Tecs dominada pelo
Nubelistas (Cloudalists), proprietários do capital em nuvem (ex: Jeff Bezos,
Elon Musk), extraem renda de todos que operam em seus domínios digitais. A
serviço deste, Capitalistas Vassalos, classe intermediaria formada por empresários
tradicionais que produzem bens físicos, que pagam "pedágio" (rendas)
para vender seus produtos em plataformas como a Amazon.
E baixo existem ainda duas
outras classes, formadas Servos da Nuvem, usuários comuns de
internet e redes sociais que dedicam grande parte
de seu viver a produzirem o capital em nuvem gratuitamente através de
dados e interações, e por fim, Proletários da Nuvem, que são trabalhadores assalariados
geridos por algoritmos, que operam em armazéns ou entregas, sob comando de
"chefes algorítmicos" sem rosto, que todos os dias batem a sua porta
e que são obrigados a cumprirem metas.
Neste contexto, conforme podemos
observar, não a morte do socialismo, pois ele continuará a ser a alternativa
desses trabalhadores, das classes Servos da Nuvem e Proletários da
Nuvem, vislumbrando a garantias de direitos.
Surge então o papel da esquerda,
que tem que se modernizar para enfrentar a uberização e garantir direitos a
esses Proletários da Nuvem (trabalhadores(as)) que vivem na informalidade, ao
contrário do Nubelistas (Cloudalists), (grande capital) que cada vez mais
demoniza os direitos dos trabalhadores e buscam reduzir custos para aumentar
suas rendas, pagando menos por entrega, pela monetização e aumentada as taxas
de serviços dos streams.
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Edson Gomes. Advogado e
professor de história.
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