TECNOFEUDALISMO: O CAPITALISMO MORREU, O SOCIALISMO NÃO!

Parece irônico apresentar ao leitor um título tão desafiador quanto este que acabaram de ler, no entanto importante fazer um aprofundamento deste título e buscar compreender esta afirmação tendo como escopo principal, primeiro a posição marxista a respeito do capital verso trabalho e a concepção do fim do capitalismo desenvolvidas por Cédric Durand e Yanis Varofaies, sendo o primeiro autor, um francês e economista e o segundo autor, foi ministro das finanças da Grécia e é economista.

Há uma observância de que as dinâmicas tradicionais do capitalismo não são mais hegemônicas na economia. O capital se modificou e destituiu o sistema, acelerando mudanças tecnológica nas últimas décadas, desde a crise financeira de 2008.

Se pensarmos como tudo aconteceu, podemos imagina um vírus que se instalou no sistema e, como o passar dos tempos, aprendeu as informações genéticas do hospedeiro, diminuindo sua resistência, a destruí-lo completamente.

O capitalismo clássico era sustentado por dois pilares, o mercado e o lucro, ambos foram substituídos, o primeiro pelas grandes plataformas digitais, chamada pelos autores de grande feudo tecnológicos e o segundo, a parte mais substantiva do capitalismo, o lucro, foi elevada a categoria de renda, que são extraídas a partir destes feudos.

O cenário atual, estudado pelos autores, apresenta o tecnofeudalismo com o novo poder que remodela a vida e o mundo, tornando-se uma ameaça ao indivíduo e às ideias liberais. Esse poder é uma barreira ao enfrentamento das catástrofes climáticas até aos ideias de democracia que por a muito vimos experimentando e tentado estabelecer.

O tecnofeudalismo é o novo modelo de economia. Ele é capaz de escravizar, a instante que cria uma nova classe trabalhadora, bem como, modificou as estruturas de poder, estabelecendo novas regras globais.

Diante deste contexto de mudança, o socialismo, mesmo deixado para trás, continua sendo a esperança da classe trabalhadora, seja as antigas, nos moldes do capitalismo e suas fases ou as novas, no tencofeudalismo.

 

O CAPITALISMO ESTÁ MORTO!

 

Os teóricos fundadores do capitalismo, seja os favoráveis, sejam seus críticos, pensaram um capitalismo evolutivo, centrado no lucro. Basicamente isso significa investir um volume de capital em maquinas, pagar mão de obra baratas e ter lucro com os produtos finais.

Esse sistema de produção de riqueza, grosso modo, surge de uma necessidade acumulativa histórica, decorrente do feudalismo medieval, e de uma acumulação primitiva. Senhores feudais perderam o controle de seus feudos, os comerciantes se estabeleceram, surgindo o mercantilismo, uma primeira fase do capitalismo, que logo em seguida assume a Revolução Industrial, bem como, o seu lado mais perverso, que foi o colonialismo.

O colonialismo foi mais perverso do ponto de vista humano, porque fomentou escravização de pessoas, instituído com base nas todas as violências, embora saibamos quão brutal foi a condições dos trabalhadores no século XVIII nas fabrica da Inglaterra e da França. Na verdade, o capitalismo em todas as suas formas, desde o seu nascimento, foi brutal.

No século XX o capitalismo tem novas feições, as guerras e a indústria automobilística lhe garantiu grandes volumes de lucros, formando agrupamentos entre aqueles do lado mais rico e aquele do lado mais pobre.

Mas é no século XIX que surge uma alternativa. Karl Marx após estudar os modos de produção, compreendeu a violência, principalmente do capitalismo e estruturou o modo de produção socialista (comunista) como sendo aquele capaz de dar melhores condições de vida a classe trabalhadora. Foi a partir deste momento, que foi possível se estabelecer, com os estudos do Capital de Marx, a luta de classe. Enteou-se que o capitalismo tem duas classes, a classe dos capitalistas, donos dos meios de produção e a classe dos trabalhadores, aquele que vendem sus mão-de-obra. Ficou extremamente didático, retórico, você é dono da fábrica ou trabalha na fábrica? A resposta a esta pergunta, também responde quem você é dentro deste modelo econômico.

O fim da segunda guerra mundial apresenta um novo cenário, países pobres devastados pela guerra, pagando a países ricos os custos da guerra e a criação e fortalecimento de um capital financeira especulativo. Capaz de gerar lucro (dividendos) sem custo na produção. Esse é o momento do mundo polarizado, do medo internacional, a Guerra Fria.

Mas os lucros nunca saciam a necessidade do capital e por isso sempre é necessário novos produtos e novos mercados. No mundo finaceirizado os endividamentos ao tempo que empobrece muitos enriquece alguns e desencadeia crise após crise.

Em 2008 o mundo viveu a maior crise financeira de todos os tempos, dentro de um processo econômico chamado de Globalização, que foi propagado por muito como algo muito bom, mas que na verdade foi prejudicial a economia, principalmente dos pais emergentes do sul global. A crise daquele ano foi capitaneada por uma conjuntura econômica global, precipitada pela falência do tradicional banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, um banco de capital sólido e aparentemente seguro, fundado em 1850.

Essa crise arrastou consigo outras grandes instituições financeiras, numa espécie de efeito domino que quebraram, no processo também conhecido como Crise do subprime. No Brasil o impacto foi importante, afetando a contratação liquidez internacional, principalmente por houve cortes nas linhas de crédito americano para o brasil. O governo brasileiro resistiu a crise com medidas protetivas e anticíclicas.

A saído dos governos foi buscar salva o sistema financeiro e alocar recursos financeiros para o sistema financeiro, inundando a economia com dinheiro dos bancos centrais, segundo Varofaies. 2023, “socialismo dos banqueiros”, esse foi o ponto de virada, que financiou a infraestrutura do capital em nuvem enquanto o capital industrial (terrestre) estagnava.

 

“Lo absurdo fue que, además de salvar a los bancos quebrados, rescataron a los banqueros responsables de su fracaso —cuyo comportamiento había sido casi delictivo— y de sus fatales prácticas. Lo que es peor, además de practicar el socialismo con los banqueros, sometieron a los trabajadores y a la clase media a una austeridad brutal. 4 Recortar el gasto público en medio de una gran recesión es siempre una pésima idea. Hacerlo mientras se imprimen montañas de dinero para los financieros se lleva el premio a la estupidez manifiesta. No sólo se trató de un descarado doble rasero que hizo un daño incalculable a la fe de una generación en la clase política, sino que tuvo un efecto letal en la economia” Varofaies. 2023.

 

O ciclo se completa com a pandemia, pois já havia acumulado recurso suficiente para a escalada da construção do espaço de nuvem. Território dominado pelas Big Tecs globais, que dominam o mercado e a vidas, surgido uma nova classe social.

 

Fueron la pandemia y la avalancha de dinero público que ésta desencadenó las que marcaron el inicio de la era del capital en la nube. Y si queremos un hito con el que señalar su comienzo formal, esa mañana de verano nos servirá. Pero como ya he insinuado, la historia del auge del capital en la nube como consecuencia del dinero público en realidad empieza antes, ya que fue tras el crac de 2008 cuando los bancos centrales del mundo empezaron a imprimir masivamente dinero estatal y éste empezó a tener un efecto extraño y contraintuitivo sobre los beneficios. Varofaies. 2023.

 

Esses elementos demonstram a morte do capitalismo, pelo menos em sua forma, como conhecíamos e faz surgir um novo modelo de produção, que substitui o lucro por renda, transformando o mundo, dividindo-o em nuvem, as Big Tecs são agora o lugar de onde sais as rendas e um uma multidão de novos servos se escravizam. O capitalismo morre em sua forma e dar lugar ao novo modelo de produção, o tecnofeudalismo.

 

O SOCIALISMO VIVE!

 

Muitos vão dizer que é anacrônico falar de socialismo com o fim do capitalismo, no entanto, o Socialismo, estudado por Karl Marx como a alternativa ao capitalismo não foi ultrapassado com o tecnofeudalismo. As relações de exploração vão continuar, surge novas formas, mas à classe de trabalhadores vai continuar na exporação, assim não há espaço para morte do socialismo.

As Bigs Tecs dominada pelo Nubelistas (Cloudalists), proprietários do capital em nuvem (ex: Jeff Bezos, Elon Musk), extraem renda de todos que operam em seus domínios digitais. A serviço deste, Capitalistas Vassalos, classe intermediaria formada por empresários tradicionais que produzem bens físicos, que pagam "pedágio" (rendas) para vender seus produtos em plataformas como a Amazon.

E baixo existem ainda duas outras classes, formadas Servos da Nuvem, usuários comuns de internet e redes sociais que dedicam grande parte de seu viver a produzirem o capital em nuvem gratuitamente através de dados e interações, e por fim, Proletários da Nuvem, que são trabalhadores assalariados geridos por algoritmos, que operam em armazéns ou entregas, sob comando de "chefes algorítmicos" sem rosto, que todos os dias batem a sua porta e que são obrigados a cumprirem metas.

Neste contexto, conforme podemos observar, não a morte do socialismo, pois ele continuará a ser a alternativa desses trabalhadores, das classes Servos da Nuvem e Proletários da Nuvem, vislumbrando a garantias de direitos.

Surge então o papel da esquerda, que tem que se modernizar para enfrentar a uberização e garantir direitos a esses Proletários da Nuvem (trabalhadores(as)) que vivem na informalidade, ao contrário do Nubelistas (Cloudalists), (grande capital) que cada vez mais demoniza os direitos dos trabalhadores e buscam reduzir custos para aumentar suas rendas, pagando menos por entrega, pela monetização e aumentada as taxas de serviços dos streams.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Edson Gomes. Advogado e professor de história.

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